A alma perceberá um dia que o mundo ensinou desejos que não eram realmente dela. É nesse instante que começa a compreender que a liberdade da alma não está em possuir tudo aquilo que aprendeu a desejar, mas em reconhecer o que realmente precisa para existir.
Disseram que liberdade vinha de ter mais, conquistar mais, ser mais do que o outro… mas quanto mais ela acumulava, mais pesada ficava. Então nasce uma percepção: a liberdade não está em possuir tudo, mas em finalmente poder soltar aquilo que nunca foi necessário.
Quando a liberdade da alma começa
Quando a mente começa a se libertar, ela olha para a sociedade como quem acorda de um sonho barulhento…
As regras continuam lá, os desejos continuam sendo vendidos como verdades, mas algo dentro de nós já não obedece da mesma forma como antes. A alma começa a caminhar para fora desse labirinto invisível, não por rebeldia, mas porque descobriu que respirar também é um direito dela.
E assim ela segue, mais leve, deixando para trás a contagem de quem tem mais, quem vence mais, quem precisa mais… porque quando a consciência se abre, o espaço dentro de si se torna maior do que qualquer expectativa do mundo.
…e nesse silêncio recém-descoberto, a alma, em sua expressiva liberdade, aquieta nossas mentes e finalmente aprende a falar pela boca de nossos corações.
A mudança nem sempre aparece por fora… a pessoa continua vivendo, trabalhando, convivendo e fazendo escolhas… mas alguma coisa dentro dela já não aceita viver apenas para corresponder ao que esperam.
Não é que o mundo tenha deixado de existir… é que ele já não consegue ocupar o mesmo espaço dentro de nós.
Aquilo que antes parecia indispensável começa a perder importância. A necessidade de provar, competir, agradar e acumular vai diminuindo à medida que percebemos que nem todo desejo nasceu verdadeiramente em nosso interior.
E então surge uma pergunta simples, mas difícil de ignorar:
Se ninguém tivesse me ensinado o que eu deveria desejar, o que eu realmente escolheria para minha vida?
A alma não precisa destruir o mundo para ser livre, ela apenas precisa deixar de entregar a ele o direito de definir quem somos…
O desejo que aprisiona
Grande parte daquilo que chamamos de desejo nasce da comparação… Queremos porque alguém possui… buscamos porque alguém alcançou… competimos porque fomos ensinados que estar atrás significa fracassar…
E, pouco a pouco, a vida pode se transformar em uma busca interminável por aquilo que sempre parece estar um pouco mais distante…
Mais reconhecimento…
Mais dinheiro…
Mais conquistas…
Mais aprovação…
Mais e mais coisas…
O problema não está em conquistar, crescer ou construir… O aprisionamento começa quando aquilo que possuímos passa a determinar aquilo que somos e quando o desejo de ter mais ocupa o espaço que deveria pertencer à própria consciência…
É nesse ponto que a liberdade da alma começa a ganhar outro significado… ela não exige abandonar o mundo, exige apenas deixar de permitir que o mundo determine o valor da nossa existência…
Quando a alma deixa de obedecer
A liberdade começa justamente aí: não quando conseguimos ter tudo o que queremos, mas quando conseguimos olhar para os próprios desejos e reconhecer quais pertencem à nossa essência e quais foram colocados sobre nós ao longo do caminho.
E quando isso acontece, a consciência começa a ocupar um espaço que antes era preenchido pelo medo de não ser suficiente.
Já não existe tanta necessidade de chegar primeiro…
Nem de possuir mais…
Nem de ser reconhecido por todos…
Existe apenas a necessidade silenciosa de não se afastar novamente de si.
Desobedecer, nesse sentido, não é romper com a vida e sim, parar de obedecer aquilo que nos impede de vivê-la com verdade…
É perceber que a alma não precisa rejeitar o mundo para encontrar liberdade dentro dele, precisa apenas recuperar o direito de escolher aquilo que permanece em seu interior…
E nesse processo, muitos desejos perdem a força, não porque deixamos de sentir… não porque deixamos de sonhar, mas porque passamos a reconhecer a diferença entre aquilo que realmente nasce de nós e aquilo que aprendemos a desejar para sermos aceitos, admirados ou reconhecidos…
A alma não precisa fugir do mundo, precisa aprender a estar nele sem deixar de pertencer a si mesma… precisa aprender a estar nele sem deixar de pertencer a si mesma…
É quando o excesso começa a perder espaço que a presença encontra lugar…
É quando a necessidade de provar diminui que a consciência respira…
É quando deixamos de correr atrás de tudo aquilo que nos ensinaram a querer que finalmente conseguimos ouvir aquilo que sempre esteve dentro de nós…
E é justamente essa a verdadeira desobediência, não abandonar a vida, não negar o mundo, não rejeitar aquilo que podemos construir, mas simplesmente não entregar nossa liberdade interior a tudo aquilo que tenta decidir por nós…
A alma desobedece quando reconhece que existir não significa acumular experiências, posses ou aprovação…
Existir também significa saber soltar… soltar o excesso… soltar a comparação…soltar a necessidade de corresponder… soltar aquilo que pesa.
É, nesse espaço que se abre, que a consciência encontra algo que nenhum excesso consegue oferecer:
A liberdade de simplesmente ser...
